21 de fev de 2012

A magia do cinema

Ultimamente tenho comprado muitos filmes antigos. Ando fascinada pelos filmes de Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, Marylin Monroe e até os da engraçadíssima Dercy Gonçalves, todos da década de 50 e em P&B. Sem qualquer tecnologia os filmes eram e são grandiosos. E os roteiros? Cada um melhor que o outro. Mas acho que não sou só eu que estou nessa fase volta às origens do cinema. 

Estão em cartaz dos filmes que parecem maravilhosos: “O Artista” e “ A invenção de Hugo Cabret”. Os dois fazem referência ao inicio do cinema em P&B, mudo, que durou de 1895 até a década de 20, quando os primeiros filmes falados, mas ainda em P&B começaram a surgir. Digo que ambos os filmes parecem maravilhosos porque o primeiro “O artista” ainda não vi, mas o segundo “A invenção de Hugo Cabret” me deixou completamente apaixonada. Isso se alguém como eu, que é louca por filmes antigos, pode ficar mais apaixonada ainda por cinema.

Martin Scorsese fez um trabalho simplesmente fantástico, não que seus outros trabalhos não tenham sido, mas esse foi primoroso. Mas antes de falar do filme acho importante falar que mesmo sendo censura livre e a trama girando em torno de um menino órfão, não recomendo que crianças vejam, elas não vão gostar, achei um filme bem adulto. Vi várias crianças entediadas, inquietas e indo ao banheiro durante toda a sessão. Esse filme é daqueles que você precisa pensar muito, refletir, analisar o porquê das coisas. Além de que são muitas referencias a escritores, poetas e a filmes antigos em P&B e crianças querem agitação, imediatismo e o filme é bem lento nesse aspecto. É meu dever falar também que aquelas pessoas que não tem o menor interesse nas produções dos irmãos Lumière (os inventores do cinematógrafo e pais do cinema), nas produções de Georges Méliès (precursor do cinema e pai dos efeitos especiais) e ao seu cinema mudo e também sempre pulam quando chegam ao Telecine Cult morrerão de tédio, como, por exemplo, dois caras que dormiram o filme todo atrás de mim e ainda saíram reclamando. Um deles dizia: “que filme chato, dá pra assistir isso após o almoço não” (eu fui na sessão das 15h) e o outro: “é filme cult amigo”. Minha vontade foi de voar encima dos caras, respirei fundo, me acalmei e depois sai da sala pensando com meus botões: coitados. 

Tudo bem, há de convir que filmes de Martin Scorsese, não são filmes do Adan sandler. Não que eu não goste das comedias do Sandler, mas se você se propõe a assistir um filme como o Hugo Cabret de Scorsese tem que entrar no clima, ou então não assista. 

Voltando ao filme do Hugo Cabret o roteiro é fantástico, baseado em um livro de Brian Selznick e com tecnologia 3D vista em Avatar. A trama acontece na década de 30, em Paris, basicamente numa estação de trem. O filme é cheio de suspense e mistérios. E além de me presentear com toda a cultura inerente a ele me fez repensar por horas minha vida. O Hugo Cabret, o menininho órfão do filme, fala que todo relógio ou máquina tem suas peças certas, não há peças extras ou sobrando. E que se o mundo é uma grande máquina, um grande relógio sem peças sobrando, todos temos nossa função no mundo, um por que de estar aqui, um proposito para que a grande máquina funcione com perfeição. Hugo Cabret cumpriu a função dele, descobriu o seu proposito no mundo. E você, já sabe o seu? Corram, não deixem de assistir.