23 de jan de 2015

Carnaval – Parte I

Desde antes do Natal já se falava em Carnaval. Acho que desde a quarta-feira de cinzas de 2014 eu já tinha amigos planejando a ida à Salvador e a compra dos abadás para 2015. É difícil encontrar quem não goste ou não saia nos inúmeros blocos pelo Rio de Janeiro. Muitos desfilam na Sapucaí, viajam, fazem churrascos infinitos, é tempo de festa, farra e pegação. É uma pausa para todos os problemas do ano, que mal começaram porque ainda estaremos em fevereiro, mas funciona como um ponta pé inicial para o ano novo. Quero aproveitar e contar um segredo para vocês. A pessoa aqui, euzinha, não curte muito Carnaval. Principalmente o de rua. Conheço muitos que também não curtem, sei que não estou sozinha, e essas pessoas, como eu, viram extraterrestres aos olhos dos outros, ou seja, literalmente sofremos bullying por semanas por não curtir o Carnaval.

Carnaval de rua pra mim é uma versão de apocalipse zumbi com filme pornô. É um bando de gente fedida, suada, perdida, desesperada por bebida e comida, pegando e agarrando o que vê pelo caminho, e mesmo que estejam praticamente em um The Walking dead ainda sentem um mega tesão, mesmo sem banho. Acredito que esteja sendo criticada nesse exato momento por todos que amam Carnaval, que se jogam nos blocos e não se importam com os caras que fazem xixi na rua e depois passam a mão em seus cabelos. Ou aqueles vestindo um abadá do ano passado, com aquele sovaco cabeludo e pingando de suor e te dá aquele abraço amigo.

Meus carnavais têm sido no meu quarto, no ar condicionado, lendo um bom livro, assistindo a filmes antigos ou clássicos na tevê, escrevendo, vendo os desfiles das escolas de samba devidamente de banho tomado, com um pote de sorvete gigante e jogada na cama. As vezes até arriscando uma ida ao cinema e à piscina.

Carnaval também é um bom período para colocar tudo em ordem. Arrumar aquele armário que você se propôs a arrumar no Carnaval de 2014 e não organizou até hoje, limpar o quarto e até colocar os estudos ou trabalho em dia.

Mas quero deixar bem claro que se quiserem minha companhia carnavalesca podem me chamar. Mas me chamem para uma ida a um camarote Vip, a um baile reservado num clube, a um churrasco com local refrigerado. Sou chata, velha, desanimada pra você, mas pra mim só quero paz, tranquilidade e conforto. Quero deixar, por enquanto, o apocalipse zumbi só na tevê, não quero vivê-lo.